Ela resguardava-se desesperadamente de qualquer pensamento que a remetesse a sua realidade. Deitada em sua cama com a mente forçando seu corpo desgastado a sentir preguiça, ela bocejava mecanicamente enquanto entopia sua mente com imagens toscas comuns aos programas de tv vespertinos. Apesar de sua mente embotada, a simplicidade do que via não era suficiente para tomar de pronto sua consciência. Então afundava-se em questões cotidianas e reclamações. Quando não, pensava em deus e encontrava legitimidade para a fuga.
"Enquanto estiver parada continuarei agradando ao senhor. Serei recompensada. Essa é uma atitude de gente decente..." - Ela pensa.
A porta se abre, ela escuta. Sem mover seu pescoço, ela tenta adivinhar quem é enquanto mantém sua figura cansada para poder negar qualquer tentativa de movê-la ou forçá-la a novas experiências perigosas.
O homem deita ao seu lado. Ela sente a repulsa pelo seu odor ao mesmo tempo que felicidade pois poderia entreter-se de forma segura. As reclamações poderiam virar brigas. Brigas virariam mais rancores. Rancores se tornariam conexões. Conexões permitiriam mais entretenimento seguro. Mas ele parecia cansado e sentiu uma ponta de decepção da qual preferiu chamar preocupação. Então lembrou que ele vinha de um compromisso. Era apropriado perguntar-lhe alguma coisa, mas era uma decisão difícil iniciar uma conversa. Apesar de querer negar a presença dele e garantir sua segurança naquele fim de tarde, ela sentia algo parecido como obrigação em se demonstrar receptiva e interessada. Algo como um senso de dever que ela classificou como instinto. Ela passou a se sentir violada. Ela conhecia bem a sensação, então resolveu arriscar já que continuar significaria um mudança desconfortável de roteiro.
Algumas frases trocadas. O homem foi furtivo, "graças ao senhor". Ela sentiu que suas obrigações foram cumpridas. Estava livre...
Nada mais apropriado que voltar aos seus pensamentos.
"Eu nunca forço a minha vulgaridade. Deixo ela buscar seus próprios meios de expressão." - Bukowski
domingo, julho 25, 2010
quarta-feira, julho 14, 2010
Arraial da Solidariedade

Convidamos todos e todas a participarem do Arraial da Solidariedade no Centro de Cultura Social do Rio de Janeiro!
Haverá comidas típicas, brincadeiras, apresentação de teatro, muita música e solidariedade no espaço do CCS!
O ingresso custa apenas módicos R$ 2,00. Estaremos também de 12:00h às 14:00h realizando um almoço (com opção vegana) que tem como intenção arrecadar fundos para o espaço e que custará R$ 8,00. Quem pagar o almoço não paga o ingresso de entrada! A compra de ingressos é preferencialmente antecipada para calcularmos os custos do almoço!
E de preferência, usem trajes a rigor!!
Venha apoiar o espaço!
Organização: Centro de Cultura Social - RJ e Grupo Luz do Sol.
Apoio: Movimento dos Trabalhadores Desempregados - RJ "Pela Base".
Mais informações: http://ccs.sarava.org/blog
sexta-feira, julho 09, 2010
domingo, julho 04, 2010
Teísmo e espiritualidade
"A religião é aquilo que impede os pobres de matarem os ricos." - Napoleão Bonaparte
Deus. O título atribuído a entidade mitológica cristã e por extensão as figuras veneradas em outras religiões e culturas não é um conceito complexo. Ele é conectado imediatamente ao mito do ser onipotente, onipresente e onisciente comum ao nosso lado do planeta. É utilizado como base ideológica para legitimar atrocidades, claro. Mas também como base para debates sobre ética e moral e como canal para manifestar sentimentos poderosos.
Antes de tudo o conceito ocidental de deus tem uma função: controle de massas. Homens e mulheres geniais já dissertaram sobre as expressões desse controle dos pobres em suas estruturas sociais e ideológicas. Ele oprime as mulheres, conforma as massas, discrimina homossexuais e legitima a violência física, social e psicológica. Estas são algumas de suas utilizações mais cruéis. Outro ponto imprescindível de se colocar é a incapacidade de se comprovar a existência do chamado "mundo espiritual" e dos seres que nele habitam. Todas as teorias científicas sobre a origem do universo e das espécies se tornaram eficientes pois tem comprovação prática e até hoje mantém resiliência científica. Não há prova da existência de qualquer ser como criador ou influenciador do mundo físico. Essa entidade é parte do conjunto de mitos ocidentais e nada mais. Para finalizar esta pequena lista de premissas, não se pode esquecer que o conhecimento é entendido aqui como uma categoria metafísica produzida através da relação dos homens e mulheres com a natureza. Ele é historicamente determinado e é limitado pelo acúmulo produzido e pelas experiências individuais e coletivas de uma sociedade em constante contradição e transformação. Assim, há um limite ao que se pode conhecer e classifico o culto em massa ao mito cristão como mais uma limitação imposta politicamente às massas do que uma simples questão de escolha individual. Resumindo: deus é usado para controle, não existe e é imposto como verdade absoluta.
Entendendo as posições acima, me faço uma pergunta: Se o mito divino é um instrumento de controle historicamente construído e existe uma demanda imposta a nossa mente (já que o conhecimento é produto de nossa relação com o mundo material), como pessoas instruídas sobre este processo lidam com o paradoxo entre o mito e a realidade?
Encontrei algumas respostas nesse fim de semana.
Existe um poder imenso nas palavras. O processo de imposição deísta diária cria um espaço na mente humana. Apesar da existência de deus não ser lógica e de haver um reconhecimento da natureza mitológica das figuras cristãs, ainda existe um espaço na vida das pessoas. Um espaço que as pessoas passam a chamar de espiritualidade. Espiritualidade passa a ser a dimensão sócio-afetiva destinada a manifestação de crenças baseadas nas emoções de conexão e inteireza. O aparato ideológico força seres humanos a cristalizarem suas ideias e práticas em torno da vivência religiosa e quando seu argumento não possui mais resiliência argumentativa, surge o paradoxo: Deus se vai... mas o espaço destinado a ele permanece. A espiritualidade é o remédio para as mentes menos instruídas e corajosas. Deus passa a ser uma entidade figurativa e as práticas são voltadas ao preenchimento de espaço e insegurança emocional gerada pela falta das muletas sociais produzidas pela religião institucional.
A espiritualidade é a droga do momento!
sábado, junho 19, 2010
Recorta e cola III
Seu Mário
6h55 Carteira do plano de saúde, identidade, guia do exame. Checado. 421, 433, 447, cheguei. Cheguei depois e Seu Mário já estava lá, esperando pacientemente a sua vez. Ele provavelmente checou mais de três vezes plano de saúde, identidade e guia do exame, mas chegou antes. Minutos depois eu estava na sala do médico, melecada de gel, veia cava isso, veia femoral aquilo e pronto, chega de desfilar de avental com bumbum de fora por aí. Quando saí, Seu Mário ainda estava lá. Mui belo e comportado, Seu Mário trajava uma calça social preta, sapatos bicudos, meia combinadinha e uma blusa amarela que chamava atenção de senhoras e mocinhas na faixa dos vinte, como eu. Óculos retrô, hastes grosssas e pretas, última moda.
O atendente chama: “Seu Mário.” Subentende-se comparecer na mesa para reaver os documentos, mas aquela delícia da terceira idade não está nem aí para a pressa. O atendente chama: “Seu Mário!” cinco vezes mais alto do que a primeira. O rapaz ao lado de Seu Mário num sobressalto treme a Caras com alguém glamoroso na capa sendo pego no flagra entrando num banheiro de um shopping qualquer. Dessa vez Seu Mário sabe que é com ele. Senta pacientemente na cadeira e exige mais de três vezes que o atendente diga a data na qual o exame ficará pronto. Tendo feito isto, mesmo com tantos bolsos, Seu Mário enfia o papel com a data de entrega do exame por dentro da camisa.
Eu já estou esperando o elevador, observo distante. Ele vem em minha direção, pára, sorriso de quem espera, apenas. O elevador abre, Seu Mário ameaça entrar. A moça que está dentro do elevador diz: “Está subindo.” Mas Seu Mário não está nem aí se sobe ou desce e ela grita: “Tá subindo!” Seu Mário sorri para mim novamente. Desta vez não é sorriso de espera e não ousem pensar que ele ri de si mesmo. A sucessão dos anos, dos dias, das horas, etc., que envolve para o homem a noção de presente, passado e futuro está presa em seus lábios moles e desembaraçados.
Retirado de: http://des-atino.blogspot.com/
6h55 Carteira do plano de saúde, identidade, guia do exame. Checado. 421, 433, 447, cheguei. Cheguei depois e Seu Mário já estava lá, esperando pacientemente a sua vez. Ele provavelmente checou mais de três vezes plano de saúde, identidade e guia do exame, mas chegou antes. Minutos depois eu estava na sala do médico, melecada de gel, veia cava isso, veia femoral aquilo e pronto, chega de desfilar de avental com bumbum de fora por aí. Quando saí, Seu Mário ainda estava lá. Mui belo e comportado, Seu Mário trajava uma calça social preta, sapatos bicudos, meia combinadinha e uma blusa amarela que chamava atenção de senhoras e mocinhas na faixa dos vinte, como eu. Óculos retrô, hastes grosssas e pretas, última moda.
O atendente chama: “Seu Mário.” Subentende-se comparecer na mesa para reaver os documentos, mas aquela delícia da terceira idade não está nem aí para a pressa. O atendente chama: “Seu Mário!” cinco vezes mais alto do que a primeira. O rapaz ao lado de Seu Mário num sobressalto treme a Caras com alguém glamoroso na capa sendo pego no flagra entrando num banheiro de um shopping qualquer. Dessa vez Seu Mário sabe que é com ele. Senta pacientemente na cadeira e exige mais de três vezes que o atendente diga a data na qual o exame ficará pronto. Tendo feito isto, mesmo com tantos bolsos, Seu Mário enfia o papel com a data de entrega do exame por dentro da camisa.
Eu já estou esperando o elevador, observo distante. Ele vem em minha direção, pára, sorriso de quem espera, apenas. O elevador abre, Seu Mário ameaça entrar. A moça que está dentro do elevador diz: “Está subindo.” Mas Seu Mário não está nem aí se sobe ou desce e ela grita: “Tá subindo!” Seu Mário sorri para mim novamente. Desta vez não é sorriso de espera e não ousem pensar que ele ri de si mesmo. A sucessão dos anos, dos dias, das horas, etc., que envolve para o homem a noção de presente, passado e futuro está presa em seus lábios moles e desembaraçados.
Retirado de: http://des-atino.blogspot.com/
O Processo.
A um tempo atrás decidi que minha vida seria verdadeira. Que meu compromisso real era com uma sinceridade profunda comigo mesmo, mesmo que isso signifique lidar sem filtros com questões dolorosas. Adotei um posicionamento racional e um ceticismo científico como formas de entender o mundo. Pouco a pouco mutilei toda a frivolidade e gordura supersticiosa que pude encontrar na minha mente. Dissequei conceitos falidos e desconstruí estruturas impostas com muita força no meu interior. Me foquei como atleta numa maratona excêntrica de exercícios mentais diários. Aumentei minha coragem e encontrei segurança com o conhecimento. Com o tempo me tornei uma pessoa assertiva e crítica disposto a arriscar tudo com a certeza da coerência.
Com o tempo vi que pra adotar uma postura sincera comigo exigia mudar o "treinamento militar" da minha mente porque ele não era suficiente. Não por ter mudado meus valores, mas porque entendi que ser verdadeiro e sincero exige ainda mais. Exige reconhecer e lidar com sentimentos do ego em conflito. E as coisas ficaram mais complexas que na primeira parte, não porque as ideias trabalhadas anteriormente sejam simples, eu as compreendo com facilidade, mas porque esse é um campo novo e muito pouco explorado. Ampliei meu entendimento sobre mim ao me aceitar e observar em minha introspecção. É mais que listar e comparar características, é buscar métodos de comprovação de personalidade me expondo a situações limite.
Pegando os resultados parciais, eu construo um "eu" superior.
São muitos anos de disciplina, meditação e confronto.
Todo esse processo não me torna uma pessoa mais feliz. Não me torna uma pessoa mais completa. Me faz uma pessoa profundamente verdadeira e extremamente orgulhosa e satisfeita consigo mesma. Me faz uma pessoa melhor.
Com o tempo vi que pra adotar uma postura sincera comigo exigia mudar o "treinamento militar" da minha mente porque ele não era suficiente. Não por ter mudado meus valores, mas porque entendi que ser verdadeiro e sincero exige ainda mais. Exige reconhecer e lidar com sentimentos do ego em conflito. E as coisas ficaram mais complexas que na primeira parte, não porque as ideias trabalhadas anteriormente sejam simples, eu as compreendo com facilidade, mas porque esse é um campo novo e muito pouco explorado. Ampliei meu entendimento sobre mim ao me aceitar e observar em minha introspecção. É mais que listar e comparar características, é buscar métodos de comprovação de personalidade me expondo a situações limite.
Pegando os resultados parciais, eu construo um "eu" superior.
São muitos anos de disciplina, meditação e confronto.
Todo esse processo não me torna uma pessoa mais feliz. Não me torna uma pessoa mais completa. Me faz uma pessoa profundamente verdadeira e extremamente orgulhosa e satisfeita consigo mesma. Me faz uma pessoa melhor.
sexta-feira, junho 11, 2010
Sonhando acordado
O telefone tocou e a voz alterada pela telefonia não impediu que fosse reconhecida. Parabenizações sem motivo ou mérito. A resposta foi educada e vazia. Não havia qualquer sentimento ou alegria referentes ao pagamento pelo trabalho bem executado. Qualquer ponta de alegria parecia inapropriada. A nova condição foi adquirida sem esforço ou luta e ele foi ensinado que a felicidade só poderia existir depois da dor.
Frases mecânicas, piadas forçadas e dois desligaram o telefone.
Ele sentiu alívio porque tudo tinha acabado.
"O inferno são os outros." - ele pensou... Mas no fundo ele não sabia qual era o motivo de sua insatizfação.
Frases mecânicas, piadas forçadas e dois desligaram o telefone.
Ele sentiu alívio porque tudo tinha acabado.
"O inferno são os outros." - ele pensou... Mas no fundo ele não sabia qual era o motivo de sua insatizfação.
sexta-feira, junho 04, 2010
O agora.
Tempo é interpretação. Vai além de linhas imaginárias didáticas. Existência é produto de idéias e memórias. Nada foi realmente, só o é faz sentido. É a memória com status de presença.
Tempo é movimento constante. Sou, não fui, projetando o sendo.
Tempo é movimento constante. Sou, não fui, projetando o sendo.
sexta-feira, maio 14, 2010
Listas I
DOS HUMORES SULFUROSOS:
1. Odeie irracionalmente. Essa é a maior motivação que poderá sentir.
2. Despreze a mediocridade (mesmo que isto signifique autodepreciação). Só a excelência importa.
3. Apaixone-se. O tédio corrói as horas e a carne sem tempero é repugnante.
4. Seja grosseiro. É imperativo à comunicação que a fala seja consonante com a intensidade das ideias, mas prefira pecar pelo excesso.
5. Sinta mais, reflita menos. Somos animais e, ao contrário do que pensam, a vida não é um tabuleiro de xadrez.
6. Arrependa-se sem culpa. Reconhecer limites é um dos princípios do autoconhecimento e de sua transcendência.
7. Permita-se. Deixe para os outros a função de te boicotar.
8. Sinta inveja. Ela é inevitável principalmente para àqueles que ambicionam ser mais do que são.
9. Confronte. A fuga é castradora. Aceite a dor com coragem frente à felicidade efêmera e subjetiva. A satizfação é central e exige indisposição.
10. Dê espaço a seus humores. Não que seja possível controlá-los, mas para saboreá-los. O fim é imperativo para tod@s.
1. Odeie irracionalmente. Essa é a maior motivação que poderá sentir.
2. Despreze a mediocridade (mesmo que isto signifique autodepreciação). Só a excelência importa.
3. Apaixone-se. O tédio corrói as horas e a carne sem tempero é repugnante.
4. Seja grosseiro. É imperativo à comunicação que a fala seja consonante com a intensidade das ideias, mas prefira pecar pelo excesso.
5. Sinta mais, reflita menos. Somos animais e, ao contrário do que pensam, a vida não é um tabuleiro de xadrez.
6. Arrependa-se sem culpa. Reconhecer limites é um dos princípios do autoconhecimento e de sua transcendência.
7. Permita-se. Deixe para os outros a função de te boicotar.
8. Sinta inveja. Ela é inevitável principalmente para àqueles que ambicionam ser mais do que são.
9. Confronte. A fuga é castradora. Aceite a dor com coragem frente à felicidade efêmera e subjetiva. A satizfação é central e exige indisposição.
10. Dê espaço a seus humores. Não que seja possível controlá-los, mas para saboreá-los. O fim é imperativo para tod@s.
quarta-feira, março 24, 2010
domingo, março 21, 2010
terça-feira, março 16, 2010
Maurício de Souza: agente duplo do imperalismo burguês
Trechos de artigo publicado no Observatório da Imprensa – grato pelo envio, Daniel – sobre o gibi contra-revolucionário e patrão que ameaça nossas crianças:
Postura bélica americana – “Mônica não tem uma obsessão como a do Tio Patinhas (pelo dinheiro), mas os dois têm algo em comum – Mônica sugere que os conflitos do mundo devam ser resolvidos através da violência. E isso pode ser visto como uma postura bélica, característica histórica e cultural dos Estados Unidos. Afinal, o big stick, a solução de conflitos através da porrada, tem sido a forma diplomática dos Estados Unidos agirem nos últimos séculos.”
Condescendência, sexismo, violência – “Ao que parece, os adultos leitores ou pais de crianças que lêem os gibis da Mônica são condescendentes com esta prática da violência. Afinal, para uns, ‘é uma menina’. Isto é, violência feminina pode, masculina não.”
Por que Magali não engorda? – “A Magali merece uma observação mais cuidadosa. Ela é uma menina que tem obsessão por comida. E como as histórias da Maurício de Souza Produções abordam isso? Como algo normal. Ter obsessão por comer, para a Maurício de Souza Produções, não é problema (…). O que se percebe é que o assunto – o desejo de comer sempre mais – é muito sério para ser tratado da maneira como trata a Turma da Mônica. O Brasil tem uma população obesa de adultos que ultrapassa 50%. Entre os pobres, os percentuais podem chegar a 60%. No ano passado, o Ministério da Saúde fez uma campanha contra a obesidade das crianças. E obesidade é doença, reconhece a Organização Mundial da Saúde.”
Chico Bento: retrato elitista do campo – “Podemos pensar em outros personagens. Chico Bento, por exemplo, revela a vida no campo, mas como clichê. As situações vividas por ele mais parecem narradas por um observador instalado na Rua Augusta, um urbanóide que nunca botou os pés na terra. Por isso, o meio rural é tratado como um outro planeta. E se alguém perguntar as características da personalidade de Chico Bento não vai ter resposta. No máximo vai fazer uso do clichê – que ele é um matuto, um caipira paulista, algo genérico. Chico Bento é uma visão burguesa – distante e elitista – do campesinato.”
Retirado de: http://michellaub.wordpress.com/
Postei porque achei superbacana!^^
Postura bélica americana – “Mônica não tem uma obsessão como a do Tio Patinhas (pelo dinheiro), mas os dois têm algo em comum – Mônica sugere que os conflitos do mundo devam ser resolvidos através da violência. E isso pode ser visto como uma postura bélica, característica histórica e cultural dos Estados Unidos. Afinal, o big stick, a solução de conflitos através da porrada, tem sido a forma diplomática dos Estados Unidos agirem nos últimos séculos.”
Condescendência, sexismo, violência – “Ao que parece, os adultos leitores ou pais de crianças que lêem os gibis da Mônica são condescendentes com esta prática da violência. Afinal, para uns, ‘é uma menina’. Isto é, violência feminina pode, masculina não.”
Por que Magali não engorda? – “A Magali merece uma observação mais cuidadosa. Ela é uma menina que tem obsessão por comida. E como as histórias da Maurício de Souza Produções abordam isso? Como algo normal. Ter obsessão por comer, para a Maurício de Souza Produções, não é problema (…). O que se percebe é que o assunto – o desejo de comer sempre mais – é muito sério para ser tratado da maneira como trata a Turma da Mônica. O Brasil tem uma população obesa de adultos que ultrapassa 50%. Entre os pobres, os percentuais podem chegar a 60%. No ano passado, o Ministério da Saúde fez uma campanha contra a obesidade das crianças. E obesidade é doença, reconhece a Organização Mundial da Saúde.”
Chico Bento: retrato elitista do campo – “Podemos pensar em outros personagens. Chico Bento, por exemplo, revela a vida no campo, mas como clichê. As situações vividas por ele mais parecem narradas por um observador instalado na Rua Augusta, um urbanóide que nunca botou os pés na terra. Por isso, o meio rural é tratado como um outro planeta. E se alguém perguntar as características da personalidade de Chico Bento não vai ter resposta. No máximo vai fazer uso do clichê – que ele é um matuto, um caipira paulista, algo genérico. Chico Bento é uma visão burguesa – distante e elitista – do campesinato.”
Retirado de: http://michellaub.wordpress.com/
Postei porque achei superbacana!^^
domingo, fevereiro 28, 2010
@s outr@s

A vida é fria, prosaica e solitária. E essa certeza imperiosa faz com que todos busquem desesperadamente por algo que as faça preencher seu tempo como trabalho, internet, sexo ou ilusões de cumplicidade e unicidade. A corrida pela felicidade forçada impossibilita a plenitude de uma vida verdadeira. Todos estão sós numa mente hermeticamente fechada onde ecoam ideias, pensamentos, sentimentos. Nem toda a expressão e perspicácia podem apreender a força do que há dentro de nós. Estamos fadamos a viver ilhados em nossas individualidades.
Empurrados numa vida em sociedade, por vezes somos levados a pensar que somos gregários. Positivismo, religião e estupidez produzem a ideia de naturalidade da/do mulher/homem coletiva/coletivo. Só estamos com outras existências por necessidade material, física ou incapacidade de desconstruir as instituições. Somos profundamente sós e nunca conheceremos ou seremos realmente conhecidos.
Se isso é válido ou não, não me interessa no momento. Hoje estou tocado por uma sensação que não consigo definir. Como individualidades tão irremediavelmente distantes podem produzir conexões tão fortes entre si? Um nível de ligação que supera todos os conceitos de fraternidade ou irmandade... E que não acontece apenas entre uma individualidade... Somos únicos, intocáveis, solitários... mas estamos conectados de uma forma que é até hoje incompreensível pra mim. Descobri a amizade.
Sou um homem de sorte?
terça-feira, fevereiro 23, 2010
quinta-feira, fevereiro 18, 2010
Teu pai já sabe?
terça-feira, fevereiro 16, 2010
Mijei na calçada!
Já se sentiram idiotas por seu sobrinho (ou similar) de três anos te enganar com aquela manha de quinta? Foi assim que me senti ao me ver surpreso com a nova do Choque de Ordem no Rio de Janeiro. Caça aos camelôs, batidas despropositadas da polícia, praia sem Garis dentre outras palhaçadas que nosso prefeito promove na cidade para mostrar serviço. É tanta idiotice que eu pensava que os limites da merda já tinham sido alcançados quando recebi a notícia que, durante o Carnaval, mijão flagrado é mijão preso!
Carnaval no Rio de Janeiro (Nada a declarar sobre isso... ¬¬), calor, cerveja, xixi e cadeia! Essa foi a sequência dos fatos para mais de 40 drogados desde o início da "bobajaiada" na Cidade. Além da política moralizadora COMPLETAMENTE DESNECESSÁRIA, foram distribuídos pela cidade apenas 4 mil banheiros químicos para uma festa com MILHÕES de pessoas! Impossível que tod@s usem a porra dos banheiros!
Esses dias, vendo o jornal regional, mostraram o depoimento de uma coroa com cara de "tia mal comida mais que quadradona" dizendo:
"- É... realmente os banheiros são insuficientes. Mas a população tem que se educar."
Ó SENHOR DA PUTA QUE PARIU! ESTOU NUM EPISÓDIO DE "ALÉM DA IMAGINAÇÃO"?
COMO prender a população (ainda mais por ato obsceno!) sem disponibilizar banheiros suficientes para tod@s?! Isso me parece tão óbvio! É forçar a criminalidade! E os custos dessa babaquice? Eu que tô pagando por isso!
Enfim, o que me deixa irritado é minha reacção surpresa a algo nada surpreendente. A criminalização da pobreza promovida pela sociedade que não permite o pleno acesso aos direitos sociais é notícia de ontem. E eu aqui gastando minha raiva à toa...
PROTESTO E MIJO NA RUA COM PRAZER!
Até porque ir à rua e não querer sentir o cheiro de mijo velho aqui e ali é para "Dondocas Zona Sul" que adoram uma fuga da realidade...
Carnaval no Rio de Janeiro (Nada a declarar sobre isso... ¬¬), calor, cerveja, xixi e cadeia! Essa foi a sequência dos fatos para mais de 40 drogados desde o início da "bobajaiada" na Cidade. Além da política moralizadora COMPLETAMENTE DESNECESSÁRIA, foram distribuídos pela cidade apenas 4 mil banheiros químicos para uma festa com MILHÕES de pessoas! Impossível que tod@s usem a porra dos banheiros!
Esses dias, vendo o jornal regional, mostraram o depoimento de uma coroa com cara de "tia mal comida mais que quadradona" dizendo:
"- É... realmente os banheiros são insuficientes. Mas a população tem que se educar."
Ó SENHOR DA PUTA QUE PARIU! ESTOU NUM EPISÓDIO DE "ALÉM DA IMAGINAÇÃO"?
COMO prender a população (ainda mais por ato obsceno!) sem disponibilizar banheiros suficientes para tod@s?! Isso me parece tão óbvio! É forçar a criminalidade! E os custos dessa babaquice? Eu que tô pagando por isso!
Enfim, o que me deixa irritado é minha reacção surpresa a algo nada surpreendente. A criminalização da pobreza promovida pela sociedade que não permite o pleno acesso aos direitos sociais é notícia de ontem. E eu aqui gastando minha raiva à toa...
PROTESTO E MIJO NA RUA COM PRAZER!
Até porque ir à rua e não querer sentir o cheiro de mijo velho aqui e ali é para "Dondocas Zona Sul" que adoram uma fuga da realidade...
sexta-feira, janeiro 15, 2010
Vergonha Alheia.
É tão difícil ter vida própria? Eu me deparo com estúpidas reações alheias o tempo todo. Não falo da mediocridade pandêmica, falo de outro conjunto de ações estúpidas (não posso negar que talvez estejam interligadas) que fazem todos clones. É a reprodução sobre a reprodução distante de toda originalidade. Nada nunca é pensado. Nenhuma atitude é livre. Tudo é espontaneamente igual ao que o outro fez semana passada que foi o que a outra fez na retrasada e etc...
Oscar Wilde disse que "Estamos todos na sarjeta, mas alguns de nós olham para as estrelas.". Nem sei se vivo realmente! Todos os dias me deparo com minhas reproduções espontâneas para testar meus orgulho e segurança. As vezes é tão insuportável que preciso trabalhar minha pequenez, aceitar minha coleira, para ensaiar algum ato de verdadeira liberdade no futuro! Só sei que a batalha costuma ser dolorosa e os resultados pouco satisfatórios ao meu ideal de independência e liberdade individual. Mesmo assim choco com meus irritantes passos de formiga.
É absurdo e incompreensível que eu seja admirado por viver a minha vida. Por me relacionar com outr@s e... estudar, trabalhar, escolher!
Tenho vergonha de viver num mundo que não repudie minha liberdade meia-boca!
Oscar Wilde disse que "Estamos todos na sarjeta, mas alguns de nós olham para as estrelas.". Nem sei se vivo realmente! Todos os dias me deparo com minhas reproduções espontâneas para testar meus orgulho e segurança. As vezes é tão insuportável que preciso trabalhar minha pequenez, aceitar minha coleira, para ensaiar algum ato de verdadeira liberdade no futuro! Só sei que a batalha costuma ser dolorosa e os resultados pouco satisfatórios ao meu ideal de independência e liberdade individual. Mesmo assim choco com meus irritantes passos de formiga.
É absurdo e incompreensível que eu seja admirado por viver a minha vida. Por me relacionar com outr@s e... estudar, trabalhar, escolher!
Tenho vergonha de viver num mundo que não repudie minha liberdade meia-boca!
sexta-feira, janeiro 01, 2010
domingo, fevereiro 15, 2009
Abdominais

Seis meses longe de mim mesmo. Nesse meio tempo, como que olhando para dentro de um aquário, fiz algumas descobertas.
Sou um preguiçoso muito chato.
Pastores alemães vivem em média 13 anos.
Adolescentes são frágeis e irritantes.
Eu não gosto de doces (tirando chocolate e goiabada).
Queijo me dá gases.
Eu sou viciado em sexo.
Gosto de nuvens de chuva.
Eu leio demais.
Os jornais, em geral, só servem para recolher a merda do meu cachorro.
As pessoas próximas parecem a mesma receita de omelete, mas com quantidades de tempero diferentes. As pessoas distantes são omeletes, mas de outra receita... Ou seja, somos todos ovos!
Sei o que sinto e, lembre-se da história da omelete, sei como os outros se sentem. Dominar o mundo? Está chegando lá...
Drogas são necessárias.
O. Wilde é minha bicha preferida.
Max foi, Nietszche é, Bakunin está e Sartre será.
Gosto de verde (a cor).
Adoro me viciar.
Bom... não é pra ser bonito e sim verdadeiro. (by Bigodón!)
Sou um preguiçoso muito chato.
Pastores alemães vivem em média 13 anos.
Adolescentes são frágeis e irritantes.
Eu não gosto de doces (tirando chocolate e goiabada).
Queijo me dá gases.
Eu sou viciado em sexo.
Gosto de nuvens de chuva.
Eu leio demais.
Os jornais, em geral, só servem para recolher a merda do meu cachorro.
As pessoas próximas parecem a mesma receita de omelete, mas com quantidades de tempero diferentes. As pessoas distantes são omeletes, mas de outra receita... Ou seja, somos todos ovos!
Sei o que sinto e, lembre-se da história da omelete, sei como os outros se sentem. Dominar o mundo? Está chegando lá...
Drogas são necessárias.
O. Wilde é minha bicha preferida.
Max foi, Nietszche é, Bakunin está e Sartre será.
Gosto de verde (a cor).
Adoro me viciar.
Bom... não é pra ser bonito e sim verdadeiro. (by Bigodón!)
domingo, março 02, 2008
Fidel Morreu!!!
Não, o barbudo não ganhou seu atestado de óbito... ainda. Mas o ditador comunista pop star perdeu seu emprego recentemente.
Nada de reflexões abalizadas sobre o assunto já que eu seria no mínimo leviano. Apenas cito o fato e, como os iconoclastas adoram falar, digo que os heróis devem ser derrotados.
Nada de reflexões abalizadas sobre o assunto já que eu seria no mínimo leviano. Apenas cito o fato e, como os iconoclastas adoram falar, digo que os heróis devem ser derrotados.
Assinar:
Postagens (Atom)



